

Devia existir uma camiseta “I love porra nenhuma” para vender por aí. Ninguém percebeu, mas o sentimento tão sublime, mágico, perfeito e sincero foi banalizado dia após dia. Gostei da sua bunda ou do seu peitoral definido, te amo. O sentimento é eternizado até a semana que vem e a maior prova de amor é atualizar o status do Facebook para “em um relacionamento sério”. Não canso de repetir o clichê eu-nasci-na-época-errada. Acho muito mais sexy abrir o coração do que abrir as pernas. É tudo tão rápido. Um “oi”, um beijo, sexo e puf! Já é amor. O cara copia uma frase da internet e manda uma mensagem de madrugada para conquistar a garota bonita que ele quer ficar. Chama de “gostosa” e esse já é o cúmulo do romantismo. Já vi até mesmo gente amando mais de vinte ao mesmo tempo…Que coração potente, né? A moça bonitona que diz que relacionamento virtual é falso é a mesma casada com um milionário de setenta anos, daquelas que tiram foto com o marido em uma viagem de luxo e coloca na legenda “Eu e meu amorzinho em Paris”! Tem garotas do meu colégio amando eternamente um por fim de semana e tão verdadeiramente quanto nota de três reais. Cansei dessas garotinhas imaturas que passam a tarde escrevendo textos sobre o quanto sofrem pela paixão platônica, sobre a dor que o “amor” causa e todo esse mimimi típico de adolescente que não conhece livros. Tamanha a repulsa que me causa ver que o fulaninho que publicou em uma rede social sobre o amor à Deus, é o mesmo que sai por aí, cometendo pecados e se entregando à uma vidinha de lixo! Qual é a diversão em difamar tanto esse sentimento maravilhoso? Amor se constrói à base de tempo, confiança e sinceridade. Amor é aprender a aceitar cada defeito, superar cada erro e continuar tendo aquela pessoa como o motivo de sua felicidade! Até ursinho de pelúcia sabe dizer “eu te amo”. Seres humanos estúpidos! Abrindo a boca sem pensar para fingir um sentimento quando, na realidade, o que se passa ali dentro é pura podridão. Escolhendo a dedo “eu amo isso, aquilo e aquilo outro” assim, sem mais nem menos. E a cada dia que se passa e eu me vejo imersa em um mundo de amorzinho falso, mais tenho vontade de sair andando por ai com a camiseta estampada com meu descaso pelo tal “amor” que está na moda. Ei, coração não é panfleto para distribuir à qualquer um, na rua.
— I love porra nenhuma, que tal? (pseudo-coração)

Tem certos momentos da vida que a única coisa a fazer é seguir em frente, esquecer oque te deixa mal, esquecer oque só te leva para trás. Não é fácil, existe coisas que te marcam e depois para esquecer é difícil, esquecer velhas feridas, velhas pessoas mais difícil então. Mais sabe, não vale a pena viver de passado, “o caminho é reto sem curvas” lembra? Esquece oque te fez chorar e corra atrás do que te faz sorrir. Não se deixe abater por barreiras que a vida impõe em seu caminho, todos temos dias ruins, a vida de ninguém é perfeita. Ainda vai haver muitas decepções, mais o melhor que se tem a fazer é guardar dentro de uma mala e arquivar como experiencia. Ponha sua felicidade como prioridade. Olhar pra trás é perda de tempo, oque ficou no passado tem motivos para não virar presente. Afinal oque não te acrescenta, não fará falta. (dream-imperfect)

Um dia a gente já brincou na lama, teve medo de monstro, acreditou no Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Fada do Dente. Fez perguntas indiscretas para os adultos, bagunçou o quarto, acordou cedo com medo de perder seu desenho animado. Bebeu suco de maracujá, comeu biscoito recheado, bolo de chocolate ate lambuzar toda a cara. Fez castelo de areia na praia, acampou com os amigos, dançou, brincou, gritou, fez birra e chorou. Levou bronca do pai, da mãe, do irmão mais velho e da professora. Ficou de castigo por semanas e semanas, e quase sempre foi perdoado antes do prazo. Gastou todo o dinheiro da mesada com chiclete, e levou mais uma bronca por isso. Caiu de bicicleta, patins, skate. Ralou o joelho, quebrou o braço, sujou a camisa branca que sua mãe pediu pra não usar, tem quatro pontos debaixo do queixo. Brincou de pique-esconde, pique-pega, pique-tudo-que-se-possa-imaginar. Imaginou um mundo onde todas as pessoas eram felizes e tinham o poder de voar. Vestiu uma capa feita de toalha e tentou voar. Inventou um amigo imaginário, e cuidou dele ate não se lembrar.
Quis mudar seu próprio nome. Jogou video-game até o raiar. Fez aula de karatê, judo, natação, balé. Calçou o sapato da mãe e desfilou pela casa toda borrada de batom, querendo ser adulto por um dia. Mal sabíamos o que era, na verdade, crescer. Ter responsabilidades, horários, prazos. Pensar na vida, resolver problemas. Problemas muito mais complicados do que a matemática, que parecia ser o pior dilema do mundo, na quinta série. Me faz lembrar da história de Peter Pan, o menino que vivia na Terra do Nunca e nunca crescia. Quem fosse com ele, seria criança para sempre, imagine só? Uma vida inteira só de chiclete, brinquedos, sonhos. Uma vida em que o único problema fosse o da matemática. Seria pedir demais, não é? Sim. Só crescendo vivemos coisas diferentes, conhecemos pessoas, erramos – muito, aprendemos – muito, vivemos. É o cliclo da vida, não se pode querer mudá-lo. É o que precisamos. Mesmo assim, posso apostar que qualquer um de nós, desde os que acabaram de sair da infância até os que quase não se lembram dela, gostaríamos de pedir, pelo menos por um dia: Peter Pan, ainda dá tempo de ir com você? (cdv)


Cheguei a conclusão de que fui selecionada para sofrer. Ou talvez, seja mais umas de minhas precipitações em relação ao total sofrimento que me atinge em cheio no momento, em relação a mim, à minha vida e as minhas formas de viver. Sabe como é, essas simples coisas que vêm com total força no momento que já está tudo acumulado. Parece, que vivo sendo impulsionada a seguir em direção à dor, não apenas de uma dor com um pequeno desencontro, mas aquela em que todos os motivos que você tinha para derramar uma pequena lágrima, se juntam e parecem agradar dessa junção, comemorando com bebidas que vêm direto para meus olhos, em forma de lágrimas… Sabe como é, você muda de direção e não sabe se é o certo a fazer, aquela direção na qual meus sentidos se atrapalham no presente, onde minhas mãos ficam trêmulas e meus pés bambeiam diante de um destino incerto, diante de uma vida incerta. E depois, depois de passar pelo nervosismo de encontros e desencontros, me desencontro com minha imagem, com o meu reflexo. Me desencontro com a felicidade que eu tinha e entro em conjunto com a desilusão. O caminho onde minha felicidade é proibida para mim mesma, onde os quartos, as ruas, se tornam cada vez mais absurdamente escuras e incertas, onde minhas próprias ações se tornam imaginárias, está ali, diante de meus olhos… Tortuoso, com árvores das quais eu vejo sombras, as mais terríveis sombras que atormentaram-me dia e noite Ingênua sou eu em acreditar que eu possa ser feliz, ingênua, é minha consciência em imaginar que casais são perfeitos, que nada irá me perturbar e nada, exatamente esse nada, irá fazer com que meus momentos deixem de ser doces e se tornem amargos, que a vida é… Perfeita. Ingênua sou eu, em acreditar naquela harmonia, naquela alegria, naqueles sorrisos… A verdade é que, por um momento, ou por quase sempre, deixei de acreditar em mim mesma e comecei a confundir meus tropeços com caídas em abismos, os mais terríveis abismos dos quais, a pobre e ingênua “eu”, não é capaz de sobreviver. Gabriela, Brandur-a.

Vivemos em uma realidade de adultos versus adolescentes. Como qualquer adolescente, já fui tachada como “inútil” inúmeras vezes e sou obrigada a conviver com o preconceito durante vinte e cinco horas de cada dia da minha vida. É como uma overdose de desrespeito e humilhação, e tudo isso pelos seguintes motivos: opa, que motivos? Assim como noventa e nove por centro dos jovens de hoje em dia, eu acordo cedo com a cara amassada, cabelo bagunçado e um mal humor ácido que faz com que eu tenho náuseas a cada vez que alguém dirige alguma palavra para mim às cinco e meia da manhã! Encaro o espelho e tenho que lidar, tomada por desgosto, com a minha aparência fora-dos-padrões-de-beleza-da-sociedade. Aliás, meus queridos adultos, vocês fazem uma mínima ideia do quanto é difícil fazer parte de uma geração onde absolutamente tudo pode ser - e sempre é - julgado? Sim, nós geralmente estamos de cara amarrada. Ah, fala sério! Onde foi que eu assinei me comprometendo a estar feliz o tempo todo? Não sou obrigada a sorrir só porque eu não trabalho, não pago contas e não tenho uma família para sustentar. Afinal, eu estudo e ajudo minha mãe com serviços domésticos. É pouco? Sim, mas é o que eu posso fazer. Mas, ao contrário do que vocês pensam, os “aborrecentes” também ficam felizes, até mesmo com as coisas mais simples! Poder dormir até mais tarde, almoçar a comida favorita, passar a tarde com os amigos, aprender a cantar a nova música da banda que amamos, conseguir tirar uma nota boa, ler um bom livro, beijar a paixão de nossas vidas, fazer idiotices, assistir um desenho animado nostálgico, passar o dia na internet…Hum, esse é o principal problema. Que filho nunca ouviu um sermão da mãe sobre você-só-fica-nesse-computador? Nós passamos tempo ilimitado na internet porque nela encontramos, além de uma infinidade de formas de nos divertirmos, pessoas que nos aceitam e nos fazem bem! Há muitas amizades e amores verdadeiros que só se tornaram possíveis pela internet. Existem muitos perigos, lógico, mas não é só isso! E então dizem “na minha época adolescentes faziam isso e aquilo”…É tão difícil assim entender que a “sua época” já passou, os tempos mudaram e hoje em dia tudo é absurdamente diferente? Jovens da atualidade não são piores só porque não se comportam como vocês se comportavam na juventude de vocês, caros adultos, afinal, não podemos parar no tempo, não é mesmo? Vocês nos criticam como se nunca tivessem passado por essa fase da vida. Será que, quando nos tornamos adultos, simplesmente esquecemos de todas as confusões da juventude? Será que todas as notas baixas, paixões platônicas, amizades falsas, lágrimas derramadas, crises de autoestima e nhé nhé nhé são excluídos do nosso cérebro assim, de uma hora para a outra? Creio que não. A realidade é que é muito mais fácil menosprezar um adolescente por seu erros e por ter hábitos diferentes aos de mil novecentos e minha avó era virgem, do que valorizar as coisas boas feitas pelos mesmos! Hoje em dia, grande parte da ciência, literatura popular - no Tumblr, por exemplo - projetos sociais e ótimas classificações em concursos são fruto do talento e dedicação de jovens. Não posso negar que grande parte de nós se afundou em caos: tudo gira em torno de sexo, drogas, bebida e desrespeito! O amor e a amizade estão ameaçados de extinção, qualquer probleminha é desculpa para perfurar veias e a única responsabilidade e comprometimento é beijar o máximo de bocas possível em uma só noite. Além disso, ainda há aquela palavra que vem se tornando cada vez mais popular, o tal “bullying”! Enfim, como tudo na vida, adolescentes têm seus defeitos e suas qualidades. Mas vocês, adultos, só enxergam o pior. E julgam, criticam, humilham, reclamam até nos deixarem deprimidos. E não, não é drama, tempestade em copo d’água ou sei lá o quê! Mas nós somos sensíveis…Fazemos quase tudo errado, temos milhões de defeitos e decepcionamos muita gente, mas sabe? Também merecemos amor e respeito, carinho e liberdade de expressão! Merecemos um pouquinho de compreensão porque também não somos culpados por essa fase conturbada pela qual estamos passando. Talvez seja melhor trocar o esporro de todos os dias no filho adolescente por uma conversa animada e, ao invés de criticar sem saber de nada, procurar estabelecer uma amizade saudável, que tal? Esse blá blá blá todo, na realidade, foi uma súplica - em nome dos jovens - para que vocês, adultos, pensem duas vezes antes de triturar nossos coração e esgotarem nossa paciência com todas essas reclamações e esse desprezo. E, por favor: res-pei-to! Afinal, como exigem que sejamos respeitosos com vocês se nos tratam como lixo humano?”
— Adolescente também é humano, né? (pseudo-coração)

Já me disseram que um dia nossas máscaras iriam cair, que essa minha máscara de sorrisos sempre corretos e sempre intactos, cairia sobre meus pés, em qualquer momento tudo pode se transformar e voltar a ser tão normal como nunca foi, tão verdadeiro como nunca pensei que pudesse ser. Me disseram que um dia todo esse teatro pode desmoronar diante de meus olhos e essa farsa podia cair diante de meu olhar em simples segundos, simples minutos não levados à sério. Me disseram que um dia essa cortina que possui em meu olhar pode cair sem ao menos pedir permissão, sem ao menos olhar pelo buraquinho desse pedaço de pano e notar que ninguém está olhando, quando na verdade estará, tudo pode terminar sem aplausos… Sem ao menos eu ter esperado por eles. É uma pena, uma enorme pena que tenham me dito isso nos dias em que eu me encontrava no mundo da lua, nos dias em que eu viajava pelo mundo procurando por mais um lugar para descansar, em que minhas voltas pelo mundo transformaram-se em uma salvação cuja minha memória gostaria muito de continuar tendo… Uma pena que me disseram isso no dia em que eu estava vagando por estradas à procura de uma causa justa para continuar a pilotar essa minha nave espacial de loucuras, tristezas e felicidades, essa nave que tem um nome especial, assim como o seu próprio significado é essencial. Essa nave que vai flutuando sozinha, com o intuito de chegar à lua sem ao menos saber o caminho exato para ir até lá… Nave de nome vida. […] Eu já havia ouvido que eu chegaria ao ponto, ao ponto exato de explodir, como pipoca de microondas. E aqui estou eu, firme e forte? Não, nunca estarei assim por um bom tempo, nunca me encontrarei assim durante os momentos em que eu estiver em minha normalidade, essa normalidade que antes não era vista por ninguém além de mim, mas que hoje, está à mostra em vitrines de promoção e de liquidação. Perdida e envergonhada? Talvez eu também me sinta assim, além de estar triste e despedaçada. É simplesmente isso, minha máscara caiu, e a burra, pobre coitada não foi capaz de ouvir aqueles que lhe davam o apoio e lhe davam os concelhos para que tudo melhorasse. Sim, as cortinas se abriram e diferente do que essas pessoas haviam dito, houveram sim aplausos… Aplausos de garotas e garotos que queriam me ver no chão, e acabaram tendo o que queriam. Porque eu nunca fui boa atriz, nunca fui uma ótima bicha ambulante que sabe esconder as lágrimas tão perfeitamente atrás de vários sorrisos, mas até agora, estava tudo indo bem… Estava porque tudo desmoronou diante de meus olhos, como já haviam falado e eu não havia escutado. […] E novamente, aqui vou eu, pilotar minha nave espacial à procura de um novo mundo onde eu possa me encontrar, pilotar essa nave espacial sozinha, solitária, viajar durante dias e dias procurando por um lugar onde não haja problemas para mim, procurando por um sol que consiga me iluminar… Pois sou como uma estrela, não possuo minha luz própria mas, diferente delas, não tenho nada que me dê luz, não tenho uma causa para brilhar. Mas eu vou continuar a vagar, no meu universo onde ninguém possa entrar, e eu fique ali, naquele mundo de escuridão que eu já estava acostumada a viver. Gabriela, Brandur-a.